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Dr. Giuseppe #NaMídia

Parceiros de pessoas diagnosticadas com HPV também devem fazer o rastreio

Pesquisa global publicada, em setembro deste ano, na The Lancet, uma das mais importantes revistas científicas do mundo, mostra que um a cada três homens, com idade a partir de 15 anos, tem algum tipo de HPV. O vírus é responsável por diversos tipos de câncer e tem levado pessoas jovens a óbito por falta de acesso a informações adequadas sobre prevenção. O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), seccional Amazonas, cirurgião uro-oncologista Giuseppe Figliuolo, explica que o rastreio do HPV deve ser feito tanto em pessoas infectadas, quanto em seus parceiros sexuais, pois o vírus é considerado altamente transmissível.

O estudo ocorreu a partir da análise de 5.685 pesquisas científicas desenvolvidas entre janeiro de 1995 e junho de 2022, utilizando informações de 44.769 homens, que constavam em 65 realizados em 35 países. No compilado, foram mencionados 200 tipos de HPV.

O cirurgião da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo, explica que, por se tratar de um importante fator de risco para várias alterações (especialmente as do trato genital masculino e também do feminino), o Papiloma Vírus Humano precisa ser combatido de forma consistente, evitando mortes futuras por neoplasias malignas como as de pênis, colo uterino, boca, garganta, ânus, esôfago, entre outras

Ainda de acordo com Figliuolo, alguns subtipos são mais nocivos que outros à saúde, pois são considerados oncogênicos (com maior potencial para o desenvolvimento do câncer). Já outros, tendem a ser assintomáticos e menos graves, requerendo apenas acompanhamento médico periódico para exames clínicos e avaliações. Existe, ainda, os que resultam no desenvolvimento de lesões como verrugas genitais, por exemplo, os chamados condilomas. Eles podem tomar proporções altamente prejudiciais, causando dor intensa, inflamações e infecções, comprometendo a vida sexual do indivíduo e tabém o convívio social.

Tratamento invasivo

“No caso do câncer, dependendo do avanço da lesão, a alteração pode levar à amputação do pênis, tratamento considerado muito invasivo e traumático, já que desencadeia uma série de problemas posteriores, como os psicológicos, que incluem depressão e o isolamento social, por exemplo”, destaca o especialista.

Ele alerta que a demora no diagnóstico, quando os primeiros sinais de lesão são negligenciados, pode levar à metástase e até à morte. “A metástase ocorre quando o câncer se espalha para outras partes do corpo, dificultando o combate às células cancerígenas”, destacou.

Transmissibilidade

A grande maioria dos HPVs é assintomática ou apresenta lesões de baixo risco, mas, pode causar verrugas genitais, as quais também precisam ser tratadas. “Existem os subtipos considerados de alto risco, que estão associados ao câncer, e que são os que mais preocupam. Especialmente no caso do Amazonas, que ainda figura em primeiro lugar como o estado com maior incidência de câncer de colo uterino a nível de Brasil. Essa doença, especificamente, está diretamente associada ao HPV em 99% dos casos. Por isso, se surgir alguma suspeita, é importante buscar um médico, fazer o rastreamento adequado e não sair espalhando o vírus”, destacou.

Figliuolo também explica que, apesar de as lesões mais comuns decorrentes do HPV serem verrugas genitais, existem inflamações como a balanopostite, que também podem ser um sinal de alerta. “Se você, homem, apresenta alguns desses sintomas, procure um urologista da sua confiança, para exames como o teste de peniscopia, ou, de biologia molecular com captura híbrida. Em caso de detecção, os tratamentos são variados, e podem incluir laser, cauterização, cirurgia ou apenas o uso de medicamentos e um período de seguimento (follow up), para acompanhamento médico, o que pode ser feito durante consultas de rotina e check up anual”, disse o cirurgião.

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