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Consumo excessivo de carne aumenta as chances de problemas renais

É de conhecimento geral que o consumo em excesso das chamadas proteínas animais (carnes em geral), pode levar a problemas de saúde. Mas, grande parte das pessoas desconhece que entre eles, estão as doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão, além de inflamações renais. Para os que já apresentam problemas renais crônicos, evitar, em especial, a carne vermelha, ajuda na estabilidade do quadro clínico, evitando possíveis alterações e agravamentos, explica o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo.

No Brasil, dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) apontam que 1 a cada 10 pessoas apresenta doença renal crônica. Além disso, pelo menos 133 mil pessoas dependem de diálise, 100% a mais que há dez anos.

Doutor em saúde coletiva, Figliuolo destaca que o consumo excessivo de carne vermelha, por exemplo, provoca uma alteração denominada hiperfiltração nos rins por conta do excesso de ureia (substância produzida pelo fígado durante o processo de metabolismo das proteínas). Sendo assim, os rins passam a trabalhar mais que o normal. A sobrecarga, em longo prazo, causa hipertensão e diabetes.

Já no caso dos doentes renais crônicos, a dieta é fixa e deve ser respeitada à risca, segundo o especialista. Ele recomenda, ainda, a visita periódica a um nutricionista e a um nefrologista, profissional responsável pela saúde renal.

Algumas dicas nutricionais para esses casos específicos são: restringir proteína animal – se tiver que consumir, optar por carnes brancas, como peixes e aves (desde que não sejam fritos); dar preferência a proteínas vegetais, como lentilha, feijão, castanhas, ervilha, entre outros; controlar o potássio, fósforo e sódio (presentes, especialmente, em alimentos processados e embutidos, como carnes em conserva, por exemplo), e fazer o correto acompanhamento médico, além de suspender a ingestão de sal – a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo máximo de 2000mg (2g) de sódio por pessoa ao dia, o equivalente a 5g de sal. O sal de cozinha, utilizado no preparo das refeições, é composto em 40%, por sódio.

“Lembrando que essa quantidade de sal já considera o sódio embutido nos alimentos. Se o alimento já tiver sal, deve-se evitar inserir uma quantidade extra”, alertou Figliuolo. Para portadores do diabetes, o especialista destaca que o descontrole da alteração é uma das principais causas de doença renal crônica. Associada à hipertensão e ao consumo de sódio, as chances são potencializadas.

“A alimentação saudável ajuda tanto no controle dos quadros de doentes renais crônicos, quanto na prevenção dessas alterações em pessoas saudáveis. Se você já possui insuficiência renal, evite o consumo de carnes, pois ajuda a prevenir, por exemplo, o aparecimento de edemas nos rins (acúmulo de líquido), os quais geram lesões e podem levar a quadros mais graves, dependendo da condição do paciente”, explicou o especialista.

*Consumo de água*

Outra dica dada por Giuseppe Figliuolo para um bom funcionamento dos rins – em pessoas saudáveis – é o consumo de água, que, em geral, deve chegar a dois litros ao dia. “Uma outra dica é calcular a quantidade de urina liberada ao dia. Se você urinou um litro, por exemplo, o consumo diário de água deve ser de um litro e meio, pelo menos”, explicou.

A olho nu, apesar da dificuldade, é possível se ter uma ideia da média de líquido que é liberada, destacou o especialista. “Não há uma pressão em torno desse cálculo, mas é importante frisar que as pessoas precisam estar hidratadas, principalmente na nossa região, cujo clima privilegia as desidratações. Então, não se deve esperar ter sede para beber água. O ideal é se antecipar a isso, ingerindo água sempre que possível, em pequenas quantidades”, disse.

Para quem apresenta problemas renais e tem dificuldades em urinar, no entanto, há também restrições quanto ao consumo de água. “Nesses casos, o médico pode orientar a consumir apenas quantidades mínimas, para evitar o ganho de líquido no corpo antes das sessões de diálise”, destacou. Há, ainda, casos em que a quantidade de líquido ingerido deve ser equivalente à de líquido expelido durante a urina.